Pokémon Black & White – Vol. 01

Seria essa a porta de entrada pra os outros mangás da franquia?

O mangá oficial de “Pokémon Black & White“, baseado no game da Nintendo, finalmente chega ao Brasil!

Vamos acompanhar a jornada de Black, cujo grande sonho sempre foi se tornar o maior de todos os treinadores e derrotar a Liga Pokémon. A Professora Juniper o escolheu, junto com dois de seus amigos, para viajar pela região de Unova e coletar dados para a nova versão da Pokédex. Seu Pokémon inicial é o valente Tepig, mas em seu time ele também conta com Munna e Braviary, seus Pokémons de estimação, que o acompanham desde que era pequeno. E Munna será uma peça-chave nessa aventura, pois ele vai… Devorar os sonhos de Black?!

É inevitável se lembrar da série clássica do Ash, Brock e Misty, não é? Quando falamos de Pokémon, que fez parte das nossas infâncias, e eles foram nossos guias enquanto explorávamos Kanto, depois Jhoto e outros tantos continentes. Mas esse mangá não tem nada a ver com eles. Nas suas várias fases ele conta histórias alternativas baseadas diretamente nos jogos e seguindo os protagonistas originais idealizados pelos criadores.

No entanto, antes vamos voltar um pouco para falar da qualidade externa do volume. Graças ao plástico protetor no qual vem embalado, o estado de conservação dos volumes na banca é bastante satisfatório. A capa também chama a atenção com o logotipo clássico da franquia estampada e, felizmente, é mais um volume que foge do horrível modelo de repetição da mesma imagem de ambos os lados, optando por uma ilustração principal na frente da edição e algo mais simples atrás para dar espaço à sinopse.

Por opção da editora, como muito bem explicitado tanto nas redes sociais quanto no próprio mangá, a série será dividida em sagas de acordo com os jogos que adaptam, com numeração própria. Black & White foi escolhida como a primeira a ser lançada e assim aproveitar que tanto o trading card game quanto a animação no Cartoon Network se encontram juntos nessa temporada. Como resultado, tiveram que cortar o fim de Heart Gold Soul Silver e lançar somente metade do encadernado no 1º volume, então podemos esperar que o último volume dessa outra saga, quando chegar sua vez de ser lançada, também será mais curto que o normal.

O texto traduzido se mostra bastante coerente no desenvolver da história, sem erros que saltem demais aos olhos, e a equipe merece um elogio extra pela adaptação dos nomes dos golpes. As reconstruções são bem feitas e a edição em geral não apresenta falhas, com destaque para o bom trabalho feito nas telas do Pokedéx.

E então, agora sim voltando à história, somos logo apresentados ao protagonista Black, que de cara nos lembra muito o Ash com seu bordão clássico de “Vou vencer a Liga Pokémon!”. No entanto, as semelhanças acabam aí, pois Black se mostra um gênio calculista com um problema de “muito na cabeça”, como diriam no filme O Último Samurai. Sua solução é bastante interessante: usar um dos golpes de seu Pokémon para limpar a mente, um tipo de interação entre os humanos e os monstrinhos que sempre fez falta tanto nos jogos quanto na série animada.

No entanto, resta algum estranhamento para aqueles mais familiarizado com o mundo de Pokémon quando se deparam com o fato de que o herói já possui dois Pokémons antes de receber seu “inicial” da Professora Juniper, e como leitor não posso deixar de perguntar: Se ele já tinha pokémons, e tendo eles nível 54 e 30 de acordo com as informações entre capítulos, por que esperar por um Tepig nível 5 antes de partir para realizar seu sonho? Talvez haja alguma informação nos volumes anteriores quanto a algum requisito extra para começar a jornada no mundo do mangá, ou talvez o autor simplesmente tenha exagerado ao adicionar o Munna e o Braviary.

No fim das contas, embora o o preço de R$ 11,90 anunciado como o oficial para a série esteja dentro da realidade, o R$6,90 do primeiro volume parece ligeiramente exagerado, principalmente quando nos deparamos com o papel usado para suas páginas que, embora não seja o pior do mercado, também não está entre os melhores. O bom trabalho da equipe de tradução e edição da Panini compensa até certo ponto essa deficiência no material utilizado e mesmo estando um pouco caro, não foge muito dos preços praticados no mercado.

Nota: 7,5

Co-fundador da Não Nasci Herói, principal tradutor, redator de notícias e artigos e produtor e editor do NNHCast. Lá fora advogado, leitor ávido, autointitulado escritor e entusiasta de desenhos japoneses.