Tom Sawyer – Vol. Único

Haru via-se sem rumo na vida até aquele verão, quando voltou ao interior para o funeral de sua mãe e conheceu Taro, o menino mais travesso da cidade. Juntos, os dois viverão aventuras que a farão redescobrir a inocência da infância, numa singela e tocante história.

De várias formas, é bastante impactante quando você se depara na banca de jornal com um encadernado como Tom Sawyer. O título que traz logo à memória o personagem de mesmo nome do clássico de Mark Twain, a belíssima arte de capa e, claro, a grossura do volume, todos colaboram para que a maioria das pessoas não consiga sair dali sem pelo menos dar uma olhada na edição.

No exterior do volume temos a impressão de que a JBC teve um zelo próprio com a obra. A simplicidade da capa se destaca de forma positiva e, embora não veja motivos que façam indispensável a sinopse em fonte tão pequena e espremida entre o código de barras e o logo da empresa, também não dá para reclamar porque ela acaba por deixar mais do desenho ao fundo à mostra. E, mesmo com a classificação etária abaixo de 18 anos, o comprador ainda ganha o que, para os padrões da editora, pode ser considerado um verdadeiro mimo: tudo embalado em um plástico que ajuda bastante na conservação dos exemplares no ambiente selvagem das bancas de jornal.

No interior das capas temos mais uma surpresa agradável ao ver que, repetindo a novidade de Lúcifer e o Martelo, há uma mensagem exclusiva para a edição brasileira escrita pelo autor. Na sequência, ainda, oito páginas coloridas antes de voltar ao bom e velho preto e branco, e a equipe de tradução merece um elogio próprio pelo bom trabalho, inclusive na hora de adaptar o sotaque interiorano que está presente na maior parte das falas.

Sobre a história, preciso avisar logo que se você já leu As Aventuras de Tom Sawyer, não pode ficar preso ao original. A proposta de Shin Takahashi não é adaptar o livro de Mark Twain para quadrinhos, e sim reimaginar a história no Japão dos dias atuais. Você com certeza vai ver o livro ali, tanto nos acontecimentos quanto em vários outros detalhes pequenos e divertidos, mas Taro não é o Tom e Haru não é o Huck. Se você mantiver isso em mente, a experiência de ler o mangá será muito mais prazerosa.

Shin Takahashi e sua equipe souberam muito bem como criar o mundo de Tom Sawyer, e do início ao fim o clássico se mostra presente, mas sem nunca perder sua identidade como uma obra própria. Aqui, o desenvolvimento da história gira em torno do crescimento de Haru como pessoa, e aquele verão é como se fosse uma “despedida de solteira” para a infância dela. Ele não é só uma marca do fim, mas também é como se fosse uma infância inteira em si, vivida ao máximo e sem arrependimentos, representado muito bem na figura de Taro.

Embora a princípio estivesse um pouco cético quanto à qualidade da história, a narrativa do autor e sua arte mais do que bela conseguiram me conquistar. Como ele mesmo diz no posfácio, leiam Tom Sawyer e aproveitem esta oportunidade para reler As Aventuras de Tom Sawyer também. Vale a pena.

Nota: 9,5