Parasyte (Kiseijuu) – Vol. 01

Você não sabe, mas o massacre já começou, e com ele uma reflexão profunda sobre o papel do ser humano como espécie habitante do planeta!

“Criaturas parasitas desconhecidas começaram a surgir por toda a parte, tomando controle do corpo de pessoas comuns e se alimentando de outros seres humanos. Shinichi Izumi acaba “hospedando” uma dessas criaturas em sua mão direita. Os dois conseguirão viver em harmonia? Será que o mundo sobreviverá a essa invasão?”

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Embora Parasyte (Kiseijuu) tenha sido publicado há mais de vinte anos, no início dos anos 90, a série só ganhou maior visibilidade aqui no Brasil depois da bem sucedida adaptação para anime feita pelo estúdio Madhouse em 2014.

É difícil resumir numa sinopse tudo que Parasyte é e não dá para culpar quem enganosamente acaba acreditando que seja só mais uma história de ação, talvez um pouco mais grotesca que o normal, com mais sangue e criaturas bizarras para elevar a faixa etária. Mas já no primeiro volume o leitor percebe que isso é só uma parte do cenário e que o autor, Hitoshi Iwaaki, vai aproveitar para tecer questões muito mais profundas sobre o que define o ser humano e a sua relação com o planeta como um todo.

Graças à diferença de tempo desde a publicação original, algumas estranhezas acabam surgindo na leitura. As roupas e os cabelos típicos da época são o que mais entregam, e os mais jovens com certeza vão reparar nas grandes televisões de tubo. Fora isso, que realmente não chega a fazer grande diferença na leitura, nesse primeiro volume não tem muito mais que date a história.

Finalmente, sobre a edição nacional… A capa que a editora JBC preparou adota um estilo simples, um meio termo entre as capas originais e as da republicação japonesa. A repetição da mesma imagem na capa e quarta capa não é exatamente agradável de se olhar, principalmente quando deixam passar erros tão visíveis no recorte da imagem de capa quanto o do dedo indicador. O interior das capas é branco, sem nada, e não temos nem uma página colorida.

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Já a tradução, como um todo, mantém a qualidade que a JBC está acostumada a nos apresentar. Não há problemas no texto, com a exceção de um balão onde ela cai em um antigo vício de usar gírias datadas e regionais (no caso “coxinha” quer dizer pessoa certinha demais, e não tem nada a ver com o alinhamento político de Miggy), embora aparente ser pela necessidade de traduzir um trocadilho um tanto complicado, então é aceitável.

Vale mencionar, e com destaque, que quem viu o anime vai reparar na diferença de escrita no nome do Miggy, que normalmente nas legendas aparecia só como Migi. Antes de jogar pedras na editora (tem muita gente por aí que acha que o amador é que tá certo e o profissional tá sempre errado, vai saber por quê…), em japonês, no encerramento do próprio anime, o nome é escrito como ミギー, que pode ser romanizado como “Miggie” ou “Miggy”. E bem, a velha regra já dizia, nome próprio não se traduz.


Completo em dez volumes, Parasyte tem uma ótima história e, embora o preço de R$16,90 seja um pouco salgado diante da ausência de material extra como páginas coloridas ou impressão no verso da capa, não dá para dizer que é de todo injustificado com a melhora do papel para o offset. Vale a compra.

Nota: 8,0