Gangsta. – Vol. 01

Direto das ruas de Ergastulum para as bancas do Brasil, Gangsta. é uma das novidades da JBC em 2015!

Worick e Nicolas são uma dupla disposta a dar uma mãozinha ao submundo de Ergastulum, uma cidade dominada pela máfia, repleta de crime, drogas e prostituição. Mas os dois têm seu preço, e seus segredos! ‘Alô? Obrigado por ligar para os faz-tudo. Em que posso ajudar?

Talvez Gangsta. tenha sido o mangá mais rápido a chegar no Brasil depois que sua adaptação para anime estreou nas emissoras de TV japonesas e sites de streaming internacionais. A exibição nem tinha acabado ainda quando foi anunciado o licenciamento, e pouco depois do último episódio a edição nacional já estava nas lojas especializadas.

Na verdade essa rapidez causou muita estranheza à uma parte dos fãs mais ligados. Afinal, a publicação japonesa possui uma periodicidade diferente da que estamos acostumados e em vez de um volume por mês, eles tem um capítulo. Com apenas 7 volumes encadernados, muita gente ficou receosa de que logo a série empatasse com a publicação original e rapidamente passasse a vir somente três novos volumes por ano. Felizmente a sombra do cancelamento não é mais tão forte sobre esses títulos que alcançam a edição de origem, mas como nem tudo são flores, ainda existe uma parcela muito grande do público consumidor que simplesmente não consegue ter a paciência de esperar e deixa a coleção licenciada morrer na praia para ler qualquer versão amadora na internet.

Enfim, vamos falar da nossa versão brasileira. Começando pela aparência, foi uma surpresa mais do que grata encontrar os volumes empacotadinhos nas bancas de jornal. Não é algo que a JBC costuma fazer, a não ser que seja obrigada, o que é o caso de Gangsta. e todos os outros títulos com recomendação de idade de 18 anos ou mais. Se o mangá vai para livraria, tudo bem, mas dificilmente eles vão sobreviver muito tempo numa banca de jornal sem essa proteção extra. Isso é, num estado que valha à pena dar o preço cobrado.

De cara a capa ficou bem feita. No entanto, embora não seja um defeito, o posicionamento do “Kohske” ficou um pouco estranho perto do número e longe do título, só que como o mau gosto vem do original, provavelmente não tinha muito remédio. Ao virar o volume, é bom reparar que escolheram não usar aquela repetição de capa que já deveria ter desaparecido do Brasil. Mesmo o desenho sendo o mesmo, dos personagens principais, a redução de tamanho para dar espaço à sinopse e o fundo de cor diferente fazem bem o suficiente o trabalho.

O interior das capas traz imagens coloridas e o papel é offset, aquele mais branquinho e de melhor qualidade. Só que como a editora provavelmente está testando gramaturas diferentes dele, as páginas acabaram ficando meio transparentes. Isso não chega a atrapalhar a leitura em si, que é a finalidade principal, mas incomoda. Quadrinhos contam sua história com imagens e não é legal quando no espaço em branco está aparecendo imagens que não deveriam estar ali, e sim em outra página.

O trabalho de edição está com a qualidade de sempre da JBC (ou pelo menos do que não é lançado pelo selo Ink dela), com as frases bem posicionadas dentro dos balões. A tradução peca mais uma vez com o uso de umas gírias que com certeza vão causar o estranhamento de várias pessoas, como Fairy Tail, Hikaru no Go e tantos outros antes. Fora esse detalhe, ela mantém a boa coesão que costuma haver na editora e vale destacar o trabalho de adaptação para uma linguagem coloquial que combina com o cenário de Ergastulum e a vida no submundo dos personagens. Infelizmente as frases ditas pelo Nicolas não possuem o realismo que a dublagem trouxe no anime, com palavras mal pronunciadas típicas da surdez, mas talvez seja melhor assim, prezando pela clareza das palavras e representando graficamente com letras maiúsculas e minúsculas a estranheza da pronúncia.

Quanto à história, Gangsta. é recheado de ação, tiros, espadas e mortes. Os personagens são bastante carismáticos e nessa época em que quase todo personagem que vem do Japão ou é criança ou tem cara de criança (principalmente se for mulher), é muito bom ver adultos com cara de adultos. E mesmo que a Ergastulum “podre” que eles descreveram pareça estar a par ou até melhor do que algumas cidades brasileiras em que estamos acostumados a morar ou ver nos jornais, também consegue chegar mais perto da desordem urbana do que a maioria das obras japonesas que prometem o mesmo tipo de cenário.

Para concluir, Gangsta. está em alta e pode ser considerado uma ótima aquisição. Mesmo que mais fino (por causa do papel, provavelmente), treze reais e noventa centavos é um preço ótimo para um volume todo em offset e a equipe da editora JBC está de parabéns. Quem curtiu Black Lagoon (publicado pela Panini, em hiato desde sempre) precisa dar uma chance.

Nota: 9,0