Um pouco sobre Pluto de Naoki Urasawa

Pluto (プルートウ) é um mangá de Naoki Urasawa, publicado na Big Comic Original da editora Shogakukan, de 2003 a 2009, baseado na série de Osamu Tezuka, Tetsuwan Atom (ou Astro Boy como é conhecido aqui no Brasil e em outros países). Makoto Tezuka, filho de Osamu Tezuka, supervisionou sua produção. A seguir vocês conferem uma análise sobre a série que será publicada em breve aqui no Brasil, totalmente livre de spoilers:

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Se quiserem ver o arco original, no anime de 1980 ele equivale aos episódios 23 e 24 (versão que eu vi) e na série de 2003 aos episódios 13 (The Rise of Pluto) e 14 (The Fall of Acheron). Vale lembrar que Atom teve 3 adaptações para anime, uma 1963 pelo Mushi Production, uma de 1980 pela Tezuka Productions e uma de 2003, que foi a que passou aqui no Brasil, também pela Tezuka Productions (sendo que nessa mudam bastante coisa desse pedaço em especifico, tipo o nome dos personagens, entre outros detalhes), além de 3 filmes, várias releituras em mangá, adaptações e um prelúdio, Atom: The Beginning que vai virar anime na Primavera de 2017.

No mangá ORIGINAL está no volume 3, um arco de 181 páginas, serializado entre Junho de 1964 e Janeiro de 1965 na revista Shonen Magazine.

Alguém – ou algo – está destruindo os sete robôs mais poderosos do mundo: Montblanc, Norse #2, Brando, Heracles, Epsilon, Gesicht e Atom (Astro), um após o outro, desmantelando-os brutalmente sem motivo. Gesicht, um detetive da Federação Europeia, embarca em uma missão para capturar o assassino e confrontar os mistérios por trás das lembranças vagas, mas perturbadoras, que perseguem seus sonhos.

O mangá segue as 3 leis da robótica instituídas no livro “Eu, Robô“, do grande escritor de ficção científica Isaac Asimov. Para quem não conhece, são elas:

  • 1ª lei: Um robô não pode ferir um ser humano ou, por omissão, permitir que um ser humano sofra algum mal.
  • 2ª lei: Um robô deve obedecer às ordens que lhe sejam dadas por seres humanos, exceto nos casos em que tais ordens contrariem a Primeira Lei.
  • 3ª lei: Um robô deve proteger sua própria existência, desde que tal proteção não entre em conflito com a Primeira e Segunda Leis.

Esse é um futuro onde não se é mais capaz de diferenciar fisicamente humanos e robôs, que tentam a todo custo se mesclar e copiar os nossos hábitos, mesmo que não sejam capazes de compreende-los. Eles constroem famílias, criam filhos e trabalham como nós.

Tudo começa com uma morte que choca o mundo, o assassinato de Mont Blanc, muito famoso pela seu trabalho de proteção florestal das montanhas da Suíça, além de guia de alpinismo. Um robô extremamente pacífico e gentil, muito importante para o turismo local,  foi totalmente desmembrado e a floresta reduzida a cinzas. É aí que Gesicht entra na história para tentar desvendar o caso.

2w4blf6Urasawa reinterpreta a história como um mistério e suspense de assassinato estrelado por Gesicht, um detetive robô da Europol, o que difere da história original cujo o protagonista era o próprio Atom/Astro Boy.

As nuances do traço original de Atom foram usadas para produzir o character design mais realista já conhecido nas obras de Urasawa, mas que faz uma referencia enorme ao original e, se você conhece ele, com certeza irá reconhecer em “Pluto” também.

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Na história original de Atom, a ideia desse arco é mostrar que a força física não é tudo. Pluto seria um robô criado para destruir os 7 robôs mais poderosos do mundo,  simplesmente para se torna o único robô mais poderoso, e assim seu dono que é um sultão se tornar o “Rei do mundo”.

Atom é mais voltado para crianças, é uma história simples, com aquelas lições de moral que conhecemos em mangás para garotos, enquanto o Urasawa fez toda essa a ambientação virar uma coisa muito mais grandiosa e com peso emocional maior, onde há assuntos como robôs que conseguem compreender sentimentos ou serem capazes de burlar as 3 leis, a loucura de se querer produzir o robô mais forte, a busca pela perfeição, e até onde os humanos querem chegar com esse desejo, proporcionando guerra e destruição.

A história é basicamente contada por robôs,pluto2 mas cheia oportunidades para demonstrações de “humanidade” por parte deles. Sentimentos são algo bastante importante nessa obra, porque robôs supostamente não podem sentir, mas a todo momento é levantado o questionamento de “ele realmente não é capaz de sentir?”. A partir do momento que você começa a acreditar nisso, é que vem toda a magia desse universo expandido por Urasawa. A história corre mais ou menos da mesma forma que o original, mas com novas motivações, novos princípios, e com o envolvimento de muitos personagens que não apareceram no original, mas nada que fuja da visão de mundo que o Tezuka teve pra sua história.

Existe muito ódio, tristeza e raiva transmitidos nesses oito volumes, ao mesmo tempo que existe amor, carinho e esperança. Esperança de dias melhores, e de menos temores. Uma homenagem de Urasawa a Tezuka.

Autor: Osamu Tezuka e Naoki Urusawa (Monster, 20th Century Boys, Billy Bat)
Baseado em: Tetsuwan Atom
Gêneros: Ação, Drama, Mistério, Psicológico e Ficção Científica (Seinen)
Volumes: 8 (Completo)

Em 2005, Pluto recebeu o 9º Prêmio Anual Cultural Osamu Tezuka, além de um Prêmio de Excelência no 7º Festival de Artes de Mídia do Japão. Também ganhou o “Melhor Comic” nos Seiun Award 2010.

Mais detalhes sobre o mangá de Pluto que será lançado pela Panini no Brasil vocês verão por aqui no nosso blog ou em nossa página no Facebook.

Procrastinação me define, mas tento viver com isso. =D