Re:View – Analisando a Light Novel em português de Re:Zero

Como está a tradução e o acabamento do volume 1? Saiba os detalhes sobre a publicação nacional de Re:Zero antes de adquirir o seu exemplar!

Em abril de 2017 a editora NewPOP anunciou em seu canal do Youtube que lançaria no Brasil as light novels que inspiraram a produção do anime de Re:Zero Kara Hajimeru Isekai Seikatsu, fenômeno que atingiu o mundo inteiro em 2016. Desde então uma boa parcela dos fãs brasileiros começou a contagem regressiva para adquirir o primeiro volume, até que finalmente nos últimos dias de Outubro houve o evento de lançamento e o envio dos volumes para as lojas. Mas o que esperar da edição nacional de Re:Zero?

Começando pela aparência externa do volume, já foi possível surpreender-se com o fato de ser anunciada e efetivamente lançada uma capa variante além da original. Embora seja uma ótima iniciativa e um mimo que faz muito bem ao mercado, é preciso apontar que a editora tropeçou ao não negociar uma imagem própria para isso, usando somente uma ilustração colorida que já vem dentro do próprio volume.

Ainda sobre a capa, novamente a NewPOP nos apresenta a lombada verde que ela parece disposta a manter igual à japonesa como padrão para sua linha de novels. É difícil encontrar elogios para essa decisão, principalmente quando posta entre a capa e quarta capa de Re:Zero. Muito menos estranhamento causa aos olhos a edição dos EUA com sua lombada perfeitamente harmônica, seguindo a mesma cor branca do fundo da capa (embora a edição norte-americana não tenha orelhas como a nossa, o que de certa forma ajuda a equilibrar a balança).

Para fechar os comentários sobre o exterior do volume, é impossível não ressaltar o fato de que já aqui, na sinopse que foi impressa na quarta capa, salta aos olhos um erro consideravelmente simples de revisão: um artigo definido faltando. No entanto, ele continuou completamente despercebido mesmo depois da editora postar a imagem da capa no seu Facebook e vários leitores apontarem sua existência. Infelizmente a NewPOP ainda tem muito o que trabalhar no campo da revisão de suas publicações, algo que fica evidente ao abrir os volumes e ler.

Assim chegamos finalmente ao conteúdo do livro Re:Zero ~Começando uma Vida em Outro Mundo~. Durante várias análises de mangás lançados no Brasil comentei sobre a tradução quase que por obrigação, porque dificilmente surgia um erro crasso nesse quesito, era sempre a mesma frase simplesmente dizendo que fora bem traduzido e estava coerente. Em certo momento cheguei a me perguntar se era mesmo necessário continuar a falar isso. Até que a resposta chegou na forma de No Game No Life volume 07, com seus textos cheios de erros e de dificílima compreensão. Portanto, fico satisfeito em chamar a atenção para o fato de que Re:Zero, mesmo sendo da mesma editora e da mesma “linha da lombada verde” não sofreu com o mesmo estigma. Muito pelo contrário, o texto é simples e de fácil compreensão, uma leitura leve como deve ser uma light novel. Mas infelizmente não é possível parabenizar o(a) tradutor(a) porque a editora simplesmente decidiu não creditá-lo(a) pelo trabalho.

Como nem tudo são flores, a boa tradução desse volume acaba tendo seu brilho um pouco ofuscado pela aparente completa ausência de revisão. Erros simples que parecem decorrer do(a) tradutor(a) reescrevendo as frases no processo de adaptação, letras trocadas e uma quase irritante repetição de palavras muito próximas (pra que sinônimos, né?) e aquele já citado da sinopse saltam aos olhos durante a leitura desse primeiro volume. Desafortunadamente pode-se dizer que é um problema crônico com as light novels da NewPOP, com a qualidade do texto variando de acordo com a pessoa que traduziu, e deixando o questionamento de por que eles ao menos contrataram alguém para não revisar os produtos.

Para finalizar os comentários sobre a tradução e adaptação, destacou-se a questão ao redor do nome de um personagem em específico, Pack na edição nacional, Puck na americana. Já durante a exibição do anime era possível ver a utilização dos dois, com uma aparente preferência do público pela versão americanizada. Como em japonês a escrita é simplesmente “Pakku” (パック), que engloba os dois, foi preciso fazer uma pequena pesquisa até descobrir que na edição original, embaixo da escrita em katakana, vem a leitura sugerida em romaji “Pack” exatamente como a NewPOP utilizou. O Puck dos EUA aparentemente foi uma pequena concessão para os leitores de língua inglesa, um mercado gigantesco que mostra nessas horas o seu poder de barganha.

Seguindo em frente, é preciso elogiar a qualidade dos materiais utilizados pela editora na confecção da edição, com um papel que não deixa em nada a desejar se comparado ao volume americano. Algumas pessoas podem se sentir incomodadas com o fato de ser uma edição pocket, minúscula se comparados seus 14,8 cm de altura com os 21,3 cm da edição dos Estados Unidos. Mas numa pesquisa rápida foi possível descobrir que a japonesa não é muito maior que a nossa, com 15 cm de altura e um pouco mais de largura (14 cm para eles contra os nossos 10,6 cm). Particularmente acho a edição maior americana mais fácil de manusear, mas em um mercado como o brasileiro que se indigna tanto com mudanças em relação ao original, é difícil crucificar a NewPOP por ter se mantido o mais fiel possível. Além do fato de que provavelmente o custo mais baixo da edição de bolso se reflete positivamente na hora de definir o preço final ao consumidor.

Enfim, Re:Zero ~Começando uma Vida em Outro Mundo~ é um trabalho que pesa mais para o positivo do que para o negativo. A tradução é a alma de um livro e aqui ela recebe uma boa nota, sem se deixar ofuscar pela aparente completa falta de revisão. Infelizmente não dá para garantir que os próximos volumes manterão a mesma qualidade, a linha de novels da NewPOP tem se mostrado bastante inconsistente nesse quesito, especialmente se usar No Game No Life como exemplo, mas o primeiro volume vale os R$26,90 cobrados. Se você não conseguiu comprar a capa variante, não fique triste, tem a mesma imagem dentro do volume normal. E se você comprou os dois como eu… Bem, mais sorte na próxima.

Co-fundador da Não Nasci Herói, principal tradutor, redator de notícias e artigos e produtor e editor do NNHCast. Lá fora advogado, leitor ávido, autointitulado escritor e entusiasta de desenhos japoneses.
  • Fruits Punch Samurai

    A lombada da novel é verde pq a japonesa tbm é, a novel é da mesma editora de NGNL. Elas seguem esse padrão. (Meio feio na real , mas né…)

    • Hellequin

      Bem feio, na verdade XD
      O ideal seria se a NewPOP negociasse uma cor para ou se adequar à capa ou se tornar uma identidade visual da linha de LNs dela… Assim como as editoras japonesas fizeram :/

      • Fruits Punch Samurai

        Pois é, acho a ideia da americana mais bonita, mas né é o que vc disse, o poder de negociação deles é bem maior. ><

  • Jefferson Torres

    prefiro esse formato das noveis da newpop do que o formato americano, menos a lombada, também não gosto muito da americana fica parecendo um mangá na estante, mas um acor diferente na edição nacional seria legal um roxo ou lilás(não sei a diferença) combinaria melhor com re:zero